Alice no país da poesia (3 atos)
I
Arco-íris,
diante dos olhos, pulsantes e a via-láctea na bainha
Magnitudes
indistintas, meu sangue irriga a venturosa árvore
Na parte da
noite que não brilha, o opaco a tingir suas águas
Um olho de
luxo, outro simples, a água, o universo e este sol
Não é meu
sol é o verde. O segredo da vida é o seu não estar
Estas
meninas e seus corpos, teus copos, teu corpo cascavel
Folhas,
ramos, flores, frutos de ouro essa é a nossa mortalha
Piam
pássaros vermelhos, o cio em teus olhos vermelhos, zelo
Douradas
prímulas, plúmbeas plúmulas mesclam luzes e olhos
Nestes
traços que surgem no livro, à espreita atrás da cortina
II
Deixamos a
raposa, as uvas e o lince voluptuoso, zooteca zero
Nos querem
nus, a desatar os nós, um oásis ao pobre escriba
Signos
ígneos negros, ocas marcas, ouriços, ouro, opacidade
Alegram-se
com a letra que mancha o poema monogramático
Tudo de que
te desfazes e dissipa no escândalo nu do sonho
Às vezes um
rosto apagado, boquiaberto, um pássaro súbito
À noite na
casa vazia sou o sapo que espera o beijo salvador
O dormir
que não se dorme, mas esvoaça em ritmos ocultos
Despido de
pé no chuveiro, meu permanente e ácido humor
Minha
expressão imprecisa para um gorjeio mais prolongado
III
Há que se
conhecer a morte e seu desejo de dureza infinita
Em plena
alvorada, o que possa ter de consciência culpável
Olhamos a
obra, tal algo incontido na erudição dos saberes
O livro,
esse objeto apaixonado, se amplia se impõe e reduz
O que há de
confuso em um breve caos não é amordaçável
A liberdade
viva é um déjà vu, o recorte de cenas obscuras
A serpente
que acena ao falcão lá acima um pacto de viver
Devemos
permanecer sempre crianças e mais que um sonho
Quando se
decline o nome do gato, o gato salte sobre o muro
Despido ao
chuveiro, vou desdobrar meu punhado de sílabas
Tecer à
mesa do café encantadas imagens, dar início à manhã
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