sexta-feira, maio 19

A morte do silêncio

 
Desenho com o dedo tua sombra na sombra da noite
Para te reter em mim e guardar a tua lembrança nua
Essa flor despetalada no horizonte, diante da janela
Onde a lua, distante, desponta atrás das montanhas
E os meus olhos vão te buscar, te achar e te admirar
Sinto teu palpitar na solitude aparente deste abismo
Onde um pássaro voa e cruza o céu. Grito teu nome
Foi assim que vieste e me apunhalaste com teu amor
Trespassando meu coração e assim me furtar a alma
Para te estenderes por meu corpo até que te habite
Com meus pássaros selvagens indomados e famintos
E o desejo liberto no ar invadir os espaços do vento
E o manto de noite restar pleno de signos e carícias
A névoa é o olvido e a insônia transborda qual o rio
Que o calor de tanta loucura transforma em chuva
Devolvendo à vida o fruto que um dia fora semente
Na calçada o silêncio jaz abatido em teus sussurros

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