sexta-feira, maio 5

Pedra

A vida é um beiral onde equilibro meus largos limites
O vento diz que urge o movimento por arestas azuis
Leves suicídios burilam o amor em plexos longínquos
A inocência cai, eis desnuda, diáfana sem pestanejar
Uma névoa passa, irrecuperável, sêca diante de casa
Onde um último gozo se aguenta em taciturno beiral
Se há lado bom na morte, é que esta nunca se repete
A noite baixa pelo quintal com uma estranha melodia
Uma viola quebrada cerra o tempo, inaugura sombras
E ela? E menina ou mulher, mulher ou ar, ar ou pedra
Pedra dura de máscaras e raízes dessa ferida aberta
Lá no fundo a noite lança pedras de sonhos e cala-se
Será o silêncio a chama que ardeu por todo o tempo?
Sob a poeira da rotina, o chão inquietou meu olho nu


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