sexta-feira, maio 12

Fragmentos de poemas e silêncios

 

As palavras são damas solitárias, desoladas
Que cantam por entre a minha poesia
Qual mais distante, nesta pauta arena branca
Jazem densos versos d’uma música primeva
Onde estaria afinal a verdadeira morte?
No silêncio das penas a rabiscar o papel
Sem iluminar-me à luz de minha escuridão
Das estrofes que morreram na memória
Ou aninhadas em mim em sua tola máscara
Até não poder mais, fazer-se chamas e ardemos
O pássaro voa sobre o telhado da linguagem
Eu falo, mas as palavras não protegem
Minhas rubras damas soluçam entre flores
Perdidas em suas máscaras sem regresso
A morte é silêncio, mas não é muda.
Ouço cantos enlutados selar as fendas do silêncio
Ouço seu dulcíssimo pranto florescer meu silêncio gris
E eu não direi meu poema (devia dizê-lo)
Mesmo que o poema (aqui, agora) não tenha sentido
Terá, um dia, algum destino

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