terça-feira, maio 2

Do Fogo e do Ouro

 
O ouro da noite esconde fogo em sua mescla
Um fogo que é realçado na plenitude interior
Como fosse o brilho inaugural das primaveras
Que acende o riso no calor de faces exaustas
O lânguido corpo deitado que se funde na luz
Para assumir em si, os contornos de horizonte
Fogo, ouro, as almas joviais vêm negar o tempo
É o processo da criação para se recriar a dois
Não há idade, somente um sentimento infinito
A própria contradição do que predica o vazio
 
O ouro escorre pelo corpo e toma os sentidos
Afasta a solidão noturna em puras cintilações
Com seu mistério alado e seres em movimento
Vencendo o vazio no fluir perpétuo do querer
Não se permitirá que a névoa venha à espreita
Ou as sombras ilusórias que semeiem a dúvida
Da existência de um paraíso sem medo ou dor
Só o amor vence o espaço e supera os abismos
Transmuta o sonho no prenúncio da realidade
Sem saciar enquanto não resultar em um a um
 
Nesse ato o meu juízo se submete à desordem
O glorioso delírio dos sentidos contra o medo
É linguagem que se faz só pelo toque das mãos
Teu rosto no meu rosto e a leveza no coração
Que rompe as linhas do caos, tão serenamente
Enfim, estar ao teu lado é tudo o que importa
Pois é o teu meigo olhar que vem e me domina
Sem limites p'ra a completude dos sentimentos
Juntos vencemos tudo: angústia, febre ou dor
Em ouro e fogo fiz o exato retrato deste amor

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