segunda-feira, maio 8

Inútil

Tantos nascerão ou morrerão nesse tempo poema
Enquanto a lua perambula sobre as ruas desertas
Na margem do rio que levou minha inocência mar
Ouve-se um uivo lobo ecoar na sua natureza crua
 
Renasci por vezes em cada madrugada longínqua
E na aurora essa saudade flor ainda nasce lá fora
A assistir velhos sonhos em filme puro kodacolor
Celebro meu prazer de sentir mais do que pensar
 
Sussurro segredos inquietos ao vento antes de ir
Por caminhos orlados de crisântemos multicores
Para escapar do labirinto, tu e eu de mãos dadas
A recitar versos sem palavras imersas em solidão
 
Esboço nossa história no chão de terra crestada
Sem me olvidar a diversa arquitetura das nuvens
Nosso claro suor, cai às gotas sobre a dura pedra
Somos menos ilusórios se na dicção dos pássaros
 
Por trás de uma fatigada retina trêmula e tensa
Pagamos o preço de nossa oposição aos ineptos
Um perambular contra os infensos da gramática
Suas sintaxes obstinadas a devorar emes e esses
 
Devemos escrever de forma simples, epidérmica
Mas plena de objeto e presa apenas à liberdade
Seguindo menos atento às buzinas que às vozes
Para não quedar-se inútil à margem de si mesmo


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