Inútil
Tantos
nascerão ou morrerão nesse tempo poema
Enquanto a
lua perambula sobre as ruas desertas
Na margem
do rio que levou minha inocência mar
Ouve-se um
uivo lobo ecoar na sua natureza crua
Renasci por
vezes em cada madrugada longínqua
E na aurora
essa saudade flor ainda nasce lá fora
A assistir
velhos sonhos em filme puro kodacolor
Celebro meu
prazer de sentir mais do que pensar
Sussurro
segredos inquietos ao vento antes de ir
Por
caminhos orlados de crisântemos multicores
Para
escapar do labirinto, tu e eu de mãos dadas
A recitar
versos sem palavras imersas em solidão
Esboço
nossa história no chão de terra crestada
Sem me
olvidar a diversa arquitetura das nuvens
Nosso claro
suor, cai às gotas sobre a dura pedra
Somos menos
ilusórios se na dicção dos pássaros
Por trás de
uma fatigada retina trêmula e tensa
Pagamos o
preço de nossa oposição aos ineptos
Um
perambular contra os infensos da gramática
Suas
sintaxes obstinadas a devorar emes e esses
Devemos
escrever de forma simples, epidérmica
Mas plena
de objeto e presa apenas à liberdade
Seguindo
menos atento às buzinas que às vozes
Para não
quedar-se inútil à margem de si mesmo
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