segunda-feira, maio 15

Infinito

 

O cinza amordaçado no arrebol é a minha voz que lá canta
No meu desolado voo de pássaro na chuva, a chegada crua
D’um murmúrio liláceo incessante quando vêm o dia e o sol
Que não repõe a palavra mutilada quando era apenas noite
Quando a abriguei na garganta aprendendo escalar o vento
Um pássaro morto não voa, só retrata a solidão azul e alada
Que o silêncio a fez prisioneira, nas mãos caiadas da bruma
Os fidalgos senhores do silêncio, não querem o meu cantar
Mas não aprendi tramar jaulas e nem aprendi erguer muros
Quanto chamei, quando chamei, tenho chamado até nunca
Confiei ao vento meu desejo de estar sem idade, sem medo
Sem piedade por mim, sem uma morte da qual me esconder
Também sem querer ser anjo ou profeta, sem ferir ninguém
As pedras, as plumas, as folhas do livro e o fogo subjugado
Sejam apenas o conhecimento do mágico delírio que é amar
Não vim mudar a civilização, só escrever um poema à moça
Tirar a máscara e, na última linha, dar de cara co’o infinito

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