terça-feira, outubro 13

Considerações em Quatro Atos

Primeiro Ato
 
Estive a considerar como uma estrela solta na noite
Pode devorar a escuridão vindo ávida lá do infinito
Como ela está aí desde sempre sem ser a eternidade
E a estrela cadente seria u’a estrela provida de asas
E de fato não cai, não sei nenhuma caída no telhado
Céus inteiros vivem em minha improvável imaginação
Minha mãe esperava que um dia me tornasse um herói
Mas ora que caralho, ao contrário resolvi ser poeta
O mundo é repleto de milhares de pequenas cidades
Cada uma delas com suas vielas estreitas e escuras
 
Segundo Ato
 
Por onde centenas de mulheres passam caminhando
Mas de todas, guardo a luz de um sorriso tão impar
Dois olhos luminosos não observei em mais ninguém
Era qual uma primavera com a mão repleta de flores
Assim passava sob minha janela, por uma dessas vielas
De alguma das pequenas cidades, sem olhar pra cima
Nem me via a espreitá-la debruçado num beiral azul
Como a flor que cuidadosamente caminhasse liberta
Dentre as outras flores, apenas fincadas no canteiro
Era mais perfumada e colorida que todas as demais
 
Terceiro Ato
 
Mas o frio inverno veio para pousar em seu jardim
Sem mostrar perdão todas as coisas foram desfeitas
Todas as árvores foram pintadas de vazio e silêncio
As folhas espalhadas pelo chão e ela enfim me olhou
Havia muitas lágrimas em seus olhos sem saber porque
Seu olhar parecia me dizer: não, não me deixe sozinha
Seus lábios pareciam mover, mas eu não podia escutar
Então eu lhe falei e as palavras o vento levou pelo ar
E se enlearam nas folhas do salgueiro na beira do rio
Se tornando signos entre as estrofes de meus versos
 
Epílogo
 
Fecha os olhos e pense em mim, estarei ao seu lado
Entre as águas d’um azul profundo e o céu límpido
Talvez, não haja palavras que possam explicar tudo
Então, deixa-te levar, vamos caminhar entre as nuvens
Não tenhas pressa, na noite os segredos ganham vida
Deixa o poema conduzir, entre o eco azul das horas
Ah, minha criança da lua e teu vestido esvoaçante
O sonho está vivo meio às folhas do velho salgueiro
Venhas sonhar comigo e esperar até o dia amanhecer

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