Há no ar um quê de espanto nas linhas do teu rostoJá não te é tão simples sorrir como sorrias
entre nósQuando o silêncio dava uma pausa no
ruído da cama
Eu, mendigo, pedia tua atenção, me querias o corpoA vizinhança, naquele pequeno lugar,
nos espreitava
Ao passo que eu cuidava de crisântemos
na varandaTalvez eu soubesse que não era amor, mas só ficçãoMas no cintilar do luar, trazia estrelas ao teu sorriso
Eu te supunha tão especial e hoje
nada nos distingueMendigas minha emoção, eu não a tenho, sei que dói
Mas tu não viste, na tua vez, quanto
me doeu um diaFomos anônimos na multidão, nunca nos
pertencemos
O rastro de nossos passos na areia a maré já apagouDo pouco que restou, só essa foto, que tu
guardaste
A fingir um fluído imaterial, um remedo de esperança
Tão imaterial, que nesta vida, jamais irá se condensar
O acaso, um dia, me revelou que teu querer
era irrealE eu aceitei a vida assim, nem sei a que te
abri a porta
Nem aspiro mais a ser herói de nada, ou te fazer feliz
É tua vez de aceitar, não há luar, não há
flores a cuidar
**recuperado de 2012
Nenhum comentário:
Postar um comentário