segunda-feira, outubro 19

O Acaso Traz A Revelação

 

Há no ar um quê de espanto nas linhas do teu rosto
Já não te é tão simples sorrir como sorrias entre nós
Quando o silêncio dava uma pausa no ruído da cama
Eu, mendigo, pedia tua atenção, me querias o corpo
A vizinhança, naquele pequeno lugar, nos espreitava
Ao passo que eu cuidava de crisântemos na varanda
Talvez eu soubesse que não era amor, mas só ficção
Mas no cintilar do luar, trazia estrelas ao teu sorriso
Eu te supunha tão especial e hoje nada nos distingue
Mendigas minha emoção, eu não a tenho, sei que dói
Mas tu não viste, na tua vez, quanto me doeu um dia
Fomos anônimos na multidão, nunca nos pertencemos
O rastro de nossos passos na areia a maré já apagou
Do pouco que restou, só essa foto, que tu guardaste
A fingir um fluído imaterial, um remedo de esperança
Tão imaterial, que nesta vida, jamais irá se condensar
O acaso, um dia, me revelou que teu querer era irreal
E eu aceitei a vida assim, nem sei a que te abri a porta
Nem aspiro mais a ser herói de nada, ou te fazer feliz
É tua vez de aceitar, não há luar, não há flores a cuidar

**recuperado de 2012


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