quarta-feira, outubro 21

Imagens Ao Pé Do Espelho

 Ao final da tarde à medida que a luz se faz uma ausência
A noite vem se distribuir sobre o céu como uma memória
Não algo antigo e palpável de outros tempos conhecidos
Mas a extensão de um todo, onde início e fim é o mesmo
Mistérios obscuros que a só a noite plena poderá guardar
Ao poema perdido na tarde, a chegada da noite o eterniza
E renascerá entre as luzes noturnas auscultado pelo vento
O véu negro que cobre o céu à procura do gesto imêmore
Faz trespassar de milhares de brilhos de distantes auroras
E projeta imagens capazes de coagular na essência esse véu
Jamais um verso escrito voltará, segue nos lábios do vento
Rompendo a tristeza calma do silêncio que cobre teu corpo
Distante do campo onde travei batalhas eivadas de lágrimas
No canto direito daquele espelho que replicava tua imagem
Trazendo em variações geométricas em frígidas imitações
Cultivo esparsos cantos florais, rumores ao som de flautas
Um pensamento vivo em ti, se esquiva dos redis da tristeza
Para libertar as palavras do auge da trama que as retinham
Para incendiar remotos segredos, iluminando nova alvorada
Para que, assim, o poema floresça livre dos cárceres da dor
Recriando a esperança nos versos, de uma infância sem fim
Quais intermináveis sonhos d’outrora, aguardando um sinal
A noite projeta signos repletos de cor, ainda que invisíveis
O fulgor cristalino e cintilância da estrela que te tornaste
Para sempre musa, no sagrado exercício de escrever poesia

 

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