Lista de Desejos
Ah, como eu desejara ter podido cantar sob as estrelas
Mas ervas daninhas encobrem a parte estrelada do céu
E o escuro me
emudece as palavras como uma mordaça
Então o silêncio invade todos os espaços da madrugada
Quisera me desgarrar de certos ícones, falar nas sombras
Ignorar as
nuvens cinzentas que carregam frio e chuvas
Porém meus
olhos também se fazem nublados e frívolos
Como duas luas
fora de órbita a flutuarem pelo espaço
Ah, como eu
gostaria de poder ser tantas outras coisas
Que este poeta
de raízes profundas num solo tão árido
E dizer palavras menos trágicas que floresçam faceiras
Em meio aos silêncios não essenciais e relógios exaustos
Quisera que as coisas fossem como
elas realmente são
Despidas de
máscaras, apólogos que lhes assintam valor
Tenho comigo o
caderno onde conspiram poesias cruas
Como um
incunábulo destroçado onde deposito versos
Ah, como eu gostaria que vissem poesia em coisas simples
Grãos de poeira foliando na fresta de sol que vem da janela
Para irem se assentar visivelmente na mobília à
minha volta
Mas o que era alegria, será removido ao passar de pano
Um suspiro enfadado lembra que as noites
não são fáceis
A vizinha que, detrás das persianas, observa meu quarto
O ar lá fora não move nenhuma folha, tampouco a insônia
A poesia não se escreve sem metáforas, ao prisma da razão
Nenhum comentário:
Postar um comentário