quinta-feira, junho 25

O Poema Não Escrito

 

Essas vozes pífias

Que não se elevam

Apenas o mero eco

Rumor de gargantas

E os alertas cruciais

Das cobras se chegam

Nas cavernas escuras

Fingidas no orvalho

Não saem das bocas

E tu que caminhas

Em passos lentos

Longos e desnudos

Como quem celebra

Não sabe bem o que

Resta como se fosse

Um peixe no aquário

Solitário e indesperto

A uma parca vibração

Que agite as águas

Apesar que tu o vês

Tu te quedas silente

É qual algum poema

Que nunca viu o papel

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