segunda-feira, julho 27

Ainda Que Me Custe Admitir

Hoje, como de hábito, não falaremos das coisas divinas

Tampouco de coisas mundanas, poética não é para isso

Meu poema fala do sonho, das coisas que Dali fazia ver

Se há algo a mudar, não é minha culpa um mundo assim

Por isso, não me sinto responsável por guerra nenhuma

A ruína a que o mundo caminha não é por algo que fiz

Ou deixado por fazer com as minhas ideias incômodas

Tolos homens do século XXI acham que ainda poderão

Em alguns anos corrigir o que se destruiu em duzentos

Renascentismo é a eufemia para o início da destruição

Perdão, mas tenho que regar as flores nos meus sonhos

Não varro as cinzas debaixo do tapete das conveniências

Não sou algum tipo justiceiro nas horas vagas de poesia

Os donos do mundo e seus ataúdes contados um a um

Devem saber das frágeis cicatrizes dos sonhos fugazes

Se não sentes a dor é porque não lembras de ti mesmo

Eu, por mais que custe admitir, amamento a melancolia

Para nunca esquecer de onde finquei as minhas raízes

Sei que invento histórias sobre um mundo de falsidade

Contudo a verdade pode ser uma tragédia ainda maior

Troco a angústia da certeza pela inquietude da dúvida

Caminho num mundo inseguro entre ruídos e assombro

É dever de cada um amar, ser amado e morrer de amor


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