Ainda Que Me Custe Admitir
Hoje, como de hábito, não falaremos das coisas divinas
Tampouco de coisas mundanas, poética não é para isso
Meu poema fala
do sonho, das coisas que Dali fazia ver
Se há algo a mudar, não é minha culpa um mundo assim
Por isso, não me sinto responsável
por guerra nenhuma
A ruína a que o mundo caminha não é por algo que fiz
Ou deixado por fazer com as minhas ideias incômodas
Tolos homens do século XXI acham
que ainda poderão
Em alguns anos corrigir o que se
destruiu em duzentos
Renascentismo é a eufemia para o início da destruição
Perdão, mas
tenho que regar as flores nos meus sonhos
Não varro as cinzas debaixo do tapete das conveniências
Não sou algum tipo justiceiro
nas horas vagas de poesia
Os donos do mundo e seus ataúdes contados um a um
Devem saber das frágeis cicatrizes dos sonhos fugazes
Se não sentes a dor é porque não lembras de ti mesmo
Eu, por mais
que custe admitir, amamento a melancolia
Para nunca esquecer de onde finquei as minhas raízes
Sei que invento histórias sobre um mundo de falsidade
Contudo a verdade pode ser uma tragédia ainda maior
Troco a angústia
da certeza pela inquietude da dúvida
Caminho num mundo inseguro entre ruídos e assombro
É dever de
cada um amar, ser amado e morrer de amor
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