quarta-feira, julho 22

Em Busca do Último Alento

Enfim o dia avança à noite, foi um dia improdutivo

O sonho não o levou ao auge, como podia imaginar

Velhas imagens se lhe emaranham entre os cabelos

Estão absolutamente desgrenhados e até raivosos

Essa noite lhe aparece em dívida de algo brilhante

Parcas frívolas estrelas se desnudam entre a névoa

Ah, tão distantes daquelas amigas de dias passados

Que honestamente cintilavam no céu azul profundo

A lua se oculta também, a noite não realiza o sonho

Ao fio das horas, segue a caminhar pelas ruas vazias

Sem destino, anda acompanhado de seus fantasmas

Não têm as chaves das portas que irão trazer a paz

Parece que a madrugada sente e também se retrai

Entre olvidados suspiros, entre um passo e outro

Entre um batimento e outro, o coração sussurra

Enquanto o vento rodopia as folhas caídas no chão

Na quietude das horas, conjectura parar ou seguir

Não era assim o final do dia, a noite não era isso

Por fim ao dobrar a esquina, encontra um alento

Desenham-se na calçada, traços paralelos de luz

Um blues se ouve no ar trazendo tênue esperança

Sim um bar, o ponto final da solidão, enfim aberto

 


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