Em Busca do Último Alento
Enfim o dia avança à
noite, foi um dia improdutivo
O
sonho não o levou ao auge, como
podia imaginar
Velhas
imagens se lhe emaranham entre os cabelos
Estão
absolutamente desgrenhados e até raivosos
Essa
noite lhe aparece em dívida
de algo brilhante
Parcas
frívolas estrelas se desnudam entre a névoa
Ah, tão distantes daquelas amigas de dias passados
Que
honestamente cintilavam no céu azul profundo
A
lua se oculta
também, a noite não realiza o sonho
Ao
fio das horas,
segue a caminhar pelas ruas vazias
Sem
destino, anda acompanhado de seus fantasmas
Não
têm as chaves das portas que irão trazer a paz
Parece
que a madrugada sente e também se
retrai
Entre
olvidados suspiros,
entre
um
passo e outro
Entre
um batimento e
outro, o
coração sussurra
Enquanto
o vento rodopia as folhas caídas no chão
Na
quietude das horas, conjectura parar ou
seguir
Não
era assim o final do dia, a noite não era isso
Por
fim ao dobrar
a esquina, encontra um alento
Desenham-se
na calçada, traços paralelos de luz
Um blues se ouve no ar
trazendo tênue esperança
Sim
um bar, o ponto final da
solidão, enfim aberto
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