Faço Meu Rumo do Sol
Não, as nuvens não são de algodão, alguém
diz
Nem o papel onde registro o poema se faz vela
Que olvides os barquinhos de dobras, digo-lhe
Nada é como já foi um dia. A inocência partiu
Por mais que os poemas enfunem o meu velejar
E minh’alma singre as sonoras estrofes da vida
Hoje complicaram a vida abandonando
fantasias
Será que te lembras um primeiro beijo roubado
O sino dominical imprimia uma última badalada
Hoje seriam assédio
ou perturbação de sossego
E os cumulus de
carneirinhos ao sabor da brisa
Cruzavam o
manto celeste quão pacificamente
Ora gravosos vórtices das alterações climáticas
Tempestades que, impiedosas, a tudo destroem
Quem ainda
recita os versos em alegres saraus?
Quem conta passos ou cores de lajotas do chão
Não sobra mais tempo para todas essas
tolices
O poema resiste, mesmo sem prateados cálices
Simplesmente frugal e absolutamente imaterial
Qual um inverossímil arquipélago de resistência
Absolutamente sutil e simplesmente indomável
Um brusco
tropel que invade as linhas do papel
Sim tudo mudou, não o poema oriundo da noite
E na chegada da manhã faz
nuvens de algodão
Onde o poeta
desenha seu próprio rumo do sol
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