segunda-feira, agosto 24

Como Aprendi a Voar

Ela foi uma viajante que se achegou a mim num outono

Bailarina, tinha o hábito de caminhar na ponta dos pés

Levava na bolsa incensos de lírio e tinha olhos curiosos

Facilmente descobrimos juntos o caminho para sonhar

Tão breve, chegamos a um grande enlevo noite adentro

Cercava uma névoa densa, que podíamos nos enxergar

Seu sorriso brilhou qual um farol e mostrou o caminho

Ela fez meus pássaros selvagens chegarem a seu apogeu

Pousando delicadamente sobre o convite de seus seios

Na noite, mesmo as promessas não feitas, se cumpriram

Bocas e membros se entrelaçam nos silêncios do desejo

Somos sobreviventes, dispensamos definições perfeitas

O céu cansado de estar só, exibiu uma lua de primavera

Para nos iluminar, então ao seu lado fiz-me livro aberto

Para que, na sua nudez me descobrisse como quisesse

Entrei furtivo dentro dela e habitarei a sua lembrança

Eu soprei minha luz sobre todos os seus medos e dores

Quando chegou o verão, ela se foi, sem ressentimentos

Qual é natural da andorinha voar quando chega o verão

Para num delicado balé, voltar ao céu banhado de azul

De longe eu a olho feliz pela história que me ofereceu

Ela será eternamente a bailarina que me ensinou a voar


Nenhum comentário:

Postar um comentário