Como Aprendi a Voar
Ela foi uma
viajante que se achegou a mim num outono
Bailarina, tinha o hábito de caminhar na ponta dos
pés
Levava na bolsa incensos de lírio e tinha olhos curiosos
Facilmente descobrimos juntos o caminho para
sonhar
Tão breve, chegamos a um grande enlevo noite adentro
Cercava uma
névoa densa, que podíamos nos enxergar
Seu sorriso
brilhou qual um farol e mostrou o caminho
Ela fez meus pássaros selvagens chegarem a seu apogeu
Pousando
delicadamente sobre o convite de seus seios
Na noite, mesmo as promessas não feitas, se cumpriram
Bocas e membros se entrelaçam nos silêncios do desejo
Somos sobreviventes, dispensamos definições perfeitas
O céu cansado de estar só, exibiu uma
lua de primavera
Para nos iluminar, então ao seu lado fiz-me livro aberto
Para que, na sua nudez me descobrisse como quisesse
Entrei furtivo
dentro dela e habitarei a sua lembrança
Eu soprei minha luz sobre todos os seus medos e dores
Quando chegou o verão, ela se foi, sem ressentimentos
Qual é natural da andorinha voar quando chega o verão
Para num delicado balé, voltar
ao céu banhado de azul
De longe eu a
olho feliz pela história que me ofereceu
Ela será
eternamente a bailarina que me ensinou
a voar
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