terça-feira, agosto 11

Cinco Décadas de Poesia

 

Meu corpo triste e cansado não nega estrada

Dentro de mim há uma correnteza irresistível

Torrente que me conduz para qualquer lugar

Esgueirando-me entre as pedras e corredeiras

 

Encontrei os caminhos nos campos de trigais

A bússola de toda uma existência de rebeldia

Em minha pele há cicatrizes de alguns adeuses

Também tatuei risos, olhares e entardeceres

 

Tantas vezes encontrei o amor e tantas parti

Outras vezes embarquei no trem das ilusões

Tudo tão transparente, quão imprescindível

Nunca me entreguei ao álcool e aos inimigos

 

Correm em minhas veias uns poemas cotidianos

O cigarro que nunca fumei, no final do amor

Por todas vezes quais não arqueei a espinha

Qual o pássaro, que caído, não deixou de voar

 

O poema é o que escapou de algum resquício

De alguma dor antiga que já caminha ao final

Que ao contrário de transporta-la na carteira

Eu faço é saudar o privilégio de ser eu mesmo

 

Tratei o perigo como algum utensílio de casa

As facas ou os ponteiros esses dois farsantes

Dos quais, nunca fiz esforço em me esquivar

Forjaram minha verve de poeta e o meu verso

 

Cinco décadas e o amor ainda é alumbramento

Despido, selvagem, é assim que sigo a escrever

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