Cinco Décadas de Poesia
Meu corpo triste e cansado não nega estrada
Dentro de mim há uma correnteza irresistível
Torrente que me conduz para qualquer lugar
Esgueirando-me
entre as pedras e corredeiras
Encontrei os caminhos nos campos de trigais
A bússola de
toda uma existência de rebeldia
Em minha pele há cicatrizes de alguns adeuses
Também tatuei risos, olhares e entardeceres
Tantas vezes encontrei o amor e tantas parti
Outras vezes embarquei no trem das
ilusões
Tudo tão transparente, quão imprescindível
Nunca me entreguei ao álcool e aos inimigos
Correm em minhas veias uns poemas cotidianos
O cigarro que nunca fumei, no final do amor
Por todas vezes quais não arqueei a espinha
Qual o pássaro, que caído, não deixou de voar
O poema é o
que escapou de algum resquício
De alguma dor antiga que já caminha ao final
Que ao contrário
de transporta-la na carteira
Eu faço é saudar o privilégio de ser eu mesmo
Tratei o perigo como algum utensílio de casa
As facas ou os ponteiros esses dois farsantes
Dos quais, nunca fiz esforço em me esquivar
Forjaram minha
verve de poeta e o meu verso
Cinco décadas e o amor ainda é alumbramento
Despido, selvagem, é assim que sigo a escrever
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