Quando o Poeta Encontra a Estrela
Neste caminho não
há retorno, ouça o vento a soprar
Vem das distâncias mais desertas onde não há curvas
Um dia desses me torno imortal; serei
apenas o nome
Tomo um gole de vinho, a paixão e loucura dos sábios
A doce ventania
dos que se descobrem pelo caminho
Tu és bela, és desejo, és o quanto basta para o poema
Só o coração entende essa paixão que a mente ignora
A um só tempo
dor de vida e de morte na madrugada
Amanheço sobre
o linho e lá fora a névoa se despede
Delirei nessa bruma, metade contexto, metade sonho
Para ir além do impossível, mais que o barco, ser o rio
Para nele navegares eternamente em toda tua nudez
E só nós cruzando a solitude dos campos de lavanda
Só tu me conheces, consegues ir além de meus muros
Onde sei fazer as flores desabrocharem em liberdade
Juntos seremos aqueles que há mil anos sonhávamos
Então me farei pérola e ficarei a noite na tua concha
Serei alegre qual menino num dia de chuva sem escola
Talvez só Deus entenda, dormir a olhar a uma estrela
E ao acordar ela ainda estar
encantadora e sorrindo
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