sexta-feira, agosto 7

Quando o Poeta Encontra a Estrela

 

Neste caminho não há retorno, ouça o vento a soprar

Vem das distâncias mais desertas onde não há curvas

Um dia desses me torno imortal; serei apenas o nome

Tomo um gole de vinho, a paixão e loucura dos sábios

A doce ventania dos que se descobrem pelo caminho

Tu és bela, és desejo, és o quanto basta para o poema

Só o coração entende essa paixão que a mente ignora

A um só tempo dor de vida e de morte na madrugada

Amanheço sobre o linho e lá fora a névoa se despede

Delirei nessa bruma, metade contexto, metade sonho

Para ir além do impossível, mais que o barco, ser o rio

Para nele navegares eternamente em toda tua nudez

E só nós cruzando a solitude dos campos de lavanda

Só tu me conheces, consegues ir além de meus muros

Onde sei fazer as flores desabrocharem em liberdade

Juntos seremos aqueles que há mil anos sonhávamos

Então me farei pérola e ficarei a noite na tua concha

Serei alegre qual menino num dia de chuva sem escola

Talvez só Deus entenda, dormir a olhar a uma estrela

E ao acordar ela ainda estar encantadora e sorrindo




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