segunda-feira, agosto 17

O Dia Que Eu Partir

O que dirão de mim meus inimigos quando eu me for

Dirão eu sei o quê, pois então, desde já me antecipo

Por certo, críticas e reparos, frutos da maledicência

Pois a vida, com suas dicotomias é exatamente assim

Contudo devo reconhecer, haverá verdades amargas

Vez que nada é absolutamente como esperamos seja

Não, isto não é uma confissão, quiçá uma observação

Vivi independente, a horror dos ratos de duas pernas

Que dirão - sempre disseram - o que eu não lhes diria

Que não levei a vida a sério, que me perdi pelo tempo

Contudo esse tempo me reivindica, para tristeza deles

Jamais deixei que a criança em mim viesse envelhecer

Não escrevi tudo que queria, mas não poupei palavras

Umas cheiram sangue, outras são músicas no ar noturno

Hoje, um dia como outro qualquer, a vida se reinventa

Meus poemas são o melhor que posso oferecer de mim

Como se a vida reiniciasse a cada instante de pulsação

Sempre quis testemunhar as incertezas azuis da noite

Mas guardo a certeza que ninguém vai curar esta dor

É a herança que meus escritos receberam do passado

Aprendi a encarar vaias e aplausos com o mesmo sorriso

 


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