O Dia Que Eu Partir
O que dirão de mim meus inimigos quando eu me for
Dirão eu sei o quê, pois então, desde já me antecipo
Por certo,
críticas e reparos, frutos da maledicência
Pois a vida, com suas dicotomias é exatamente assim
Contudo devo reconhecer, haverá verdades
amargas
Vez que nada é absolutamente como esperamos seja
Não, isto não
é uma confissão, quiçá uma observação
Vivi independente, a horror dos ratos de duas pernas
Que dirão - sempre disseram - o que eu não lhes diria
Que não levei a vida a sério, que me perdi pelo tempo
Contudo esse
tempo me reivindica, para tristeza deles
Jamais deixei
que a criança em mim viesse envelhecer
Não escrevi
tudo que queria, mas não poupei
palavras
Umas cheiram sangue, outras são músicas no ar noturno
Hoje, um dia
como outro qualquer, a vida se reinventa
Meus poemas
são o melhor que posso oferecer de mim
Como se a vida reiniciasse a cada instante de pulsação
Sempre quis
testemunhar as incertezas azuis da noite
Mas guardo a
certeza que ninguém vai curar esta dor
É a herança
que meus escritos receberam do passado
Aprendi a encarar vaias e aplausos com o mesmo sorriso
Nenhum comentário:
Postar um comentário