Entre um olhar e o infinito algo supernaturalA noite deixa pelo dia seus vestígios
na carneA chuva que cai é para preparar a primaveraUma energia que flui, material, concreta,
friaBem diferente daquela que corre pelos cabosDas fábricas que deixam sua fumaça, enormeUma fumarola tenaz, proveniente dos asfaltosA névoa da noite, vem entremear os sussurrosQue conservam seu fluxo qual as águas do rioA água e as palavras, versos vêm aos pedaçosMurmurando, esgueirando-se entre as
margensE as palavras interligam-se no vapor das
bocasImpulso que se buscam, num silêncio frenéticoPara que linguagem, fraseio, trama de locuçõesSe corpos eloquentes dançam sobre os lençóisE são a um só tempo léxico, oração e incêndioUma corrente que reúne polos tão antagônicosPara ser uma estrela cadente sob a tempestadeO que muitos imaginariam o fim é só o
infinito
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