sexta-feira, setembro 25

Da Inutilidade das Palavras

 

Entre um olhar e o infinito algo supernatural
A noite deixa pelo dia seus vestígios na carne
A chuva que cai é para preparar a primavera
Uma energia que flui, material, concreta, fria
Bem diferente daquela que corre pelos cabos
Das fábricas que deixam sua fumaça, enorme
Uma fumarola tenaz, proveniente dos asfaltos
A névoa da noite, vem entremear os sussurros
Que conservam seu fluxo qual as águas do rio
A água e as palavras, versos vêm aos pedaços
Murmurando, esgueirando-se entre as margens
E as palavras interligam-se no vapor das bocas
Impulso que se buscam, num silêncio frenético
Para que linguagem, fraseio, trama de locuções
Se corpos eloquentes dançam sobre os lençóis
E são a um só tempo léxico, oração e incêndio
Uma corrente que reúne polos tão antagônicos
Para ser uma estrela cadente sob a tempestade
O que muitos imaginariam o fim é só o infinito

 

 

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