terça-feira, setembro 22

A Poesia, O Poeta e o Náufrago

A poesia é meu vício diário, não é segredo que leio Keats
De um salto no passado e na diferença de nossos idiomas
Para a cadência de sua poesia fincada no amor romântico
Porque um poeta surrealista iria ler outro ultra romântico
Pois se minha linha desconsolada é mais afeita a Dos Anjos
O que encontraria guarida em Keats? Tolice, o amor é uno
Uno com o sofrimento, pois só sofre quem já amou muito
Na equação de amor versus desejo, há um quê de ilusões
E onde há ilusão, estão as dobras endurecidas da desilusão
Tanto mais quando ainda se mescla a realidade com o sonho
Nessa geografia improvável estão a solidão e dor seculares
Nessa ânsia de nos desnudar, não o físico, mas em espírito
Revelando o que há de mais profundo, menos nas palavras
Mas no gesto que brota sem consentimento de nossa mão
Quando o toque percorre toda a extensão do corpo amado
Que não permite se diga inverdades, só entrega e doação
Descobrindo que amar é muito mais que declarar-se amor
É uma conexão afora da física, integrando dois espíritos
Imaginar tal conexão perpétua, é abrir as portas do sofrer
Vinicius disse que amor deve ser “infinito enquanto dure”
Todavia ressalva que é fugaz como é a chama que se vai
O segredo é se sentir pleno mesmo que só por um minuto
O poema guarda uma semelhança na equação com o amor
Ao menos na vontade, na ânsia, assemelha a um náufrago
Espero ela encontre um dia numa garrafa, esta mensagem

 


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